quinta-feira, 24 de maio de 2007

Dois tipos de bulimia


Tipo purgativo:- o indivíduo envolve-se regularmente na auto indução do vómito ou recorre ao uso indevido de laxantes e diuréticos.

Tipo não purgativo:- o indivíduo não recorre ao uso de laxantes e diuréticos nem à auto-indução do vómito, mas em compensação recorre a outros comportamentos como o excesso de exercício físico ou jejuns prolongados.

Perfil de um bulimico


Um bulimico é geralmente um individuo com baixa auto-estima, que se sente inferiorizado por não conseguir controlar os seus comportamentos, que considera absurdos. Estes doentes têm portanto, consciência de que têm um problema grave, e tentam a todo o custo escondê-lo de familiares e amigos. Este facto, leva a que eles se isolem do resto da sociedade.

O bulimico apresenta outros traços caracteristicos como:

    • comer às escondidas;
    • episódios de ingestão compulsiva, que decorrem durante um curto periodo de tempo (por exemplo, 2 horas), em que o individuo se alimenta de forma incontrolável, geralmente de alimentos excessivamente calóricos;
    • medo intenso de engordar, embora ao contrário dos anoréticos consigam manter um peso normal devido aos episódios de ingestão compulsiva;
    • guardar comida para episódios posteriores;
    • fazer grandes períodos de jejum;
    • recorrer a comportamentos compensatórios, como o uso de laxantes e diuréticos, a indução do vómito ou a pratica obsessiva de exercício físico;
    • periodos menstruais irregulares.
    • Os episódios de ingestão compulsiva e os comportamentos compensatórios ocorrem , em média, pelo menos duas vezes por semana, em 3 meses.

      Anorexia pode ser provocada por falha no sistema imunitário

      Os investigadores de um instituto em Estocolmo, analisaram amostras de sangue de mulheres que sofrem de anorexia, bulimia ou de ambas para verificar a presença de determinados anticorpos.
      Os investigadores acreditam que a anorexia pode ter como uma das várias causas reacções autoimunes, que ocorrerão no hipotálamo e na hipófise. Estes anticorpos podem induzir alterações nos centros que regulam a ingestão alimentar e o peso corporal.
      No entanto, não existem provas que relacionem directamente o aparecimento de distúrbios alimentares em mulheres com a presença destes anticorpos, uma vez que estes estavam também presentes em algumas mulheres saudáveis.
      O especialista em distúrbios alimentares Frances Conan, da Clínica Vincent Square, em Londres, disse à BBC ser provável que as doenças sejam causadas por uma interacção entre factores biológicos, psicológicos e sociais. E acrescentou, que contudo que uma vez que o hipotálamo e a hipófise regulam o apetite e a imagem corporal, poderão estar fortemente envolvidos nesta doença.
      O estudo foi publicado na revista Proceedings da National Academy of Sciences, nos Estados Unidos.

      Bulimia e Anorexia serão já problemas de saúde pública?


      Segundo a matéria de Virgínia Alves, publicada no “Jornal de Notícias” do passado mês,
      “O número de casos de anorexia e bulimia nervosas em Portugal é idêntico aos dos restantes países europeus.”

      O psicólogo Paulo Machado, um dos responsáveis por um estudo nacional destas doenças, realizado pela Universidade do Minho afirmou "Trata-se de doenças debilitantes, perturbações psiquiátricas graves, que devem ser encaradas como um problema de saúde pública, que atingem jovens que não têm idade para sofrer de perturbações".
      Através do estudo epidemiológico que, envolveu duas mil mulheres com idades entre os 15 e os 20 anos, foram detectados oito casos de anorexia nervosa e seis de bulimia nervosa. Foram ainda, diagnosticadas 53 situações de perturbação alimentar. "Casos subclínicos de anorexia e bulimia, ou seja, que não cumprem todos os critérios internacionais, que são muito restritos, para diagnosticar as doenças, mas já apresentam indícios graves para serem tratados", sublinhou Paulo Machado.

      Em Portugal os números não devem variar muito, apesar do sistema de saúde não ter a mesma capacidade de resposta para estes casos como acontece noutros países, onde existem mais centros de tratamento de perturbações alimentares.

      O estudo, que foi apresentado no congresso científico "Doentes em risco nutricional", organizado pela Associação de Estudantes de Ciências da Nutrição do Porto, integrado na XV Semana de Ciências da Nutrição, revelou ainda que os números apurados para a bulimia nervosa podem não ser os mais exactos, "isto porque é uma doença que afecta mulheres com idade superior às que foram envolvidas no estudo". Por essa razão, está a ser iniciado um trabalho dirigido a essa faixa etária.

      A investigação, que deverá ser publicada em breve em revistas científicas, partiu inicialmente de um questionário para identificar comportamentos e atitudes que poderiam sinalizar perturbações alimentares. Seguiram-se as entrevistas clínicas aos casos detectados.

      Night Eating Syndrome (NES)

      Nesta doença do comportamento alimentar cerca de mais de 50% das calorias totais diárias são ingeridas após o jantar. Entre as 19horas e a 1h situa-se o período crítico de maior dificuldade em controlar o apetite. Isto traduz-se em insónia, perturbações do sono e ansiedade e é característica uma anorexia matinal.

      quarta-feira, 23 de maio de 2007

      Binge Eating ou Voracidade Alimentar



      O Binge Eating Disorder (BED) consiste em episódios de ingestão compulsiva, mas nestes casos não ocorrem episódios compensatórios (vómito, uso de laxantes, prática de exercício físico intenso, etc,) e por isso se distingue da Bulimia.
      Os indivíduos com BED tendem a comer mais no final do dia e a ingerirem mais gordura em detrimento de hidratos de carbono, sob a forma de sobremesas e snacks.

      terça-feira, 22 de maio de 2007

      Da vida real a ficção

      É comum hoje em dia, em muitos programas de ficção, nomeadamente telenovelas, abordarem-se temas como os da Anorexia e Bulimia, talvez com um duplo objectivo: estratégia de marketing cativando o público aproximando-o de uma realidade de dia-a-dia, e alertar pais, educadores e população em geral para o problema.
      Gostaríamos de saber qual a vossa opinião sobre esta abordagem. Será positivo como alerta e prevenção, ou poderá despoletar comportamentos de imitação na população menos informada e uma alarme desnecessário para pais mais atentos e preocupados?
      O médico Dr. Durval Filho, cita a propósito de uma novela, em que uma das personagens retrata uma adolescente bulímica em ambiente familiar conturbado:
      "Esse é um dos distúrbios alimentares mais graves, e causa sérias conseqüências nutricionais. Considero a iniciativa da novela importante, pois a bulimia, bem como a anorexia, são assuntos velados entre as mulheres", alerta o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia.

      Bulimia vs Anorexia


      Ainda não abordamos aqui directamente o problema da Bulimia Nervosa, muitas vezes confundida com a Anorexia Nervosa.
      A Bulimia caracteriza-se por episódios recorrentes de voracidade alimentar, seguidos habitualmente por indução de vómitos, uso de diuréticos e laxantes, e actividade física intensa, de forma a compensar o excesso anteriormente cometido.
      A confusão entre ambas as patologias ocorre porque muitas vezes elas se cruzam, ou seja, o doente anoréctico poderá passar por períodos de restrição (em que simplesmente se recusa a comer), alternando-os com períodos de compulsão/purgação (em que come compulsivamente e no final recorre ao vómito, laxantes e/ou diuréticos), e este último quadro caracteriza-o como bulímico.
      No entanto, deve-se lembrar que o distúrbio de Bulimia não ocorre exclusivamente durante episódios de Anorexia Nervosa, pode aparecer isolado, e ocorre desta forma até mais frequentemente que a própria Anorexia, sendo de diagnóstico mais difícil, pois na Bulimia a maioria dos doentes mantém o peso normal (ligeiramente acima ou abaixo).

      terça-feira, 15 de maio de 2007

      Síndrome de Gourmet

      Actualmente só são conhecidos 34 casos a nível mundial!
      As pessoas com síndrome de Gourmet têm uma preocupação excessiva e doentia com a compra, apresentação e ingestão de pratos especiais, diferentes e/ou exóticos e em simultâneo apresentam uma perda de interesse pela sociabilização. Entre as causas estão descritas lesões no hemisfério cerebral direito (tumores, traumatismos..).
      Apesar deste gosto pela comida, não apresentam obesidade, nem recorrem a manobras compensatórias.

      domingo, 6 de maio de 2007

      Síndrome de Ruminação



      Esta síndrome aparece habitualmente em crianças, mas também pode ocorrer em adultos. Consiste exactamente num ciclo ruminatório, em que se mastigam os alimentos, engolem-se e regurgitam-se, voltando-se a mastigá-los e a engoli-los.
      Este ciclo repete-se várias vezes e cada episódio pode demorar horas.
      As consequências nefastas vão desde as fissuras labiais, problemas dentários, perda de peso e desiquilíbrios hidroeletróliticos ao risco de pneumonia por aspiração.

      Doença Purgativa


      Caracteriza-se por manobras compensatórias (vómitos, laxantes, diuréticos...), mas sem compulsão alimentar. Os indivíduos mantêm o peso normal ou próximo do normal.
      Pensa-se que a prevalência é maior que a anorexia e bulimia combinadas

      Ortorexia – Quando o querer ser saudável se torna patológico!


      Os ortoréxicos recusam-se a comer em casas de familiares e amigos por desconhecerem que alimentos lhes serão servidos e o modo como estes foram são confeccionados. Deste modo, a obsessão em manter uma alimentação saudável torna-se um verdadeiro risco para a saúde destes indivíduos, uma vez que estes evitam comer certos alimentos, por os considerarem “impuros” ou “nefastos para a saúde” e não os substituem por outros, podendo haver carências nutricionais.
      Os ortoréxicos só comem alimentos “naturais”, aos quais não lhes sejam adicionados aditivos, conservantes, e/ou corantes, e que não tenham sido cultivados com pesticidas ou desinfectantes.
      Quando não se conseguem alimentar com produtos “puros” sentem-se culpados e tendem a recompensar tal “erro” em ingestões futuras.
      Em suma, este distúrbio para além de carências nutricionais graves, poderá provocar também isolamento social e problemas de relacionamento interpessoal.

      Ortorexia nervosa


      Ainda dentro das perturbações “atípicas” do comportamento alimentar, falamo-vos agora da Ortorexia nervosa, uma obsessão patológica em comer alimentos saudáveis.
      (Orthos = correcto ; Orexis = apetite)
      Os denominados ortorécticos despendem muito tempo a pensar em comida e a planear as suas refeições. Impõem geralmente regimes alimentares muito rígidos sob o ponto de vista quantitativo e higieno-sanitário.
      Rejeitam alimentos que consideram impuros (ex: sal, açúcar, alimentos com corantes e conservantes) e não o fazem para perder peso, mas na busca idealista de um corpo saudável!

      Dia da Mãe


      Porque hoje é Dia da Mãe, um beijinho grande a todas as Mães, especialmente às Mães com filhos que padecem de doença ou perturbação de comportamento alimentar. Sabemos que são situações que provocam um desgaste emocional em todo o ambiente familiar, por isso expressamos aqui a nossa solidariedade e convite a deixarem-nos as vossas dúvidas e desabafos, para que possamos responder e ajudar sempre que possível.

      quinta-feira, 26 de abril de 2007

      Cientistas alegam ter encontrado provas de que algumas pessoas podem tornar-se viciadas em fazer exercício físico

      Um estudo em ratinhos demonstrou que quando alguns deles eram privados de exercício, havia actividade em certas áreas do cérebro normalmente ligada à retirada de drogas. Os estudos da Universidade de Wisconsin sugerem que o mesmo pode ser verdade em indivíduos com comportamentos «extremos» que tendem a fazer exercício de forma intensa. Muitos especialistas acreditam que o «vício em exercícios» não é uma condição física.

      Um estudo publicado no jornal Behavioral Neuroscience, utilizou uma raça especial de ratos que tende a usar uma roda de exercícios durante períodos mais longos do que outros ratos. Estes ratinhos de «raça especial» e outros comuns tiveram acesso às rodas de exercícios e podiam usá-las por tempo indeterminado.

      Depois de seis dias, alguns dos ratos de cada grupo foram impedidos de usar as rodas. No momento do dia em que os ratinhos deveriam ter atingido «o auge da corrida», foi feita a medição química da actividade cerebral de todos as cobaias. Foi então constatado que os ratos que não tiveram acesso aos exercícios mostraram maior actividade em 16 das 25 regiões do cérebro, sendo mais acentuado em ratos de «alta actividade». Esta mudança na actividade do cérebro é uma indicação da motivação para correr.

      Componente Psicológica destes Distúrbios

      Preocupações em relação ao aspecto físico (Transtorno Dismórfico Corporal):
      O indivíduo é consumido pela sensação de que há algo de errado ou anormal com o corpo ou com qualquer aspecto da imagem corporal ou da face, mesmo quando os amigos e familiares dizem que está tudo óptimo. Esta preocupação causa sofrimento e o indivíduo pode recear actividades sociais ou evitá-las, com medo de se expôr, tentando corrigir um hipotético defeito, pois há uma excessiva valorização do corpo e a sensação de que ele não satisfaz as expectativas.

      Na Vigorexia ou Síndroma de Adónis existe um preocupação excessiva com a musculatura, o corpo e o exercício físico. Existe uma distorção do esquema corporal porque, por mais exercício físico que façam e mesmo tendo um corpo muito grande e musculado, estas pessoas vêem-se como fracas e débeis. Este transtorno provoca sofrimento, gerando ansiedade, depressão, fobias e comportamentos compulsivos. Existe uma relação entre introversão, dificuldades de relacionamento interpessoal, timidez e mesmo fobia social, com este transtorno. Ao mesmo tempo, pode haver uma grande necessidade de aprovação social, mas sentindo insatisfação e complexos com o próprio corpo.

      Da mesma forma que existe uma distorção do esquema corporal com a anorexia, em que o indivíduo nunca se vê suficientemente magro (ainda que na realidade esteja excessivamente magro).

      A terapia cognitivo-comportamental pretende, entre outros aspectos, modificar os esquemas distorcidos, melhorar a auto-estima e reduzir os comportamentos obsessivo-compulsivos.

      Pica

      A causa da pica há muito que é procurada a partir de perspectivas nutricionais, sensoriais, fisiológicas, neuropsiquiátricas, culturais e psicossociais. As teorias nutricionais são as mais citadas, em geral atribuindo a pica a deficiências minerais específicas, como ferro e zinco.

      Efeitos da pica

      1. toxicidade inerente das substâncias ingeridas
      2. complicações obstrutivas (p.ex.: tricobezoar)
      3. desnutrição
      4. outras complicações (p.ex.: parasitoses, traumas odontológicos)

      Exemplos de pica

      As principais ferramentas terapêuticas são a orientação dietoterapêutica e a suplementação com ferro ou hemotransfusões. O aconselhamento psicológico e o emprego de inibidores da recaptação de serotonina são também recursos bastante úteis, porque embora muitas vezes os medicamentos e vitaminas possam reverter a pica, em muitos casos o tratamento exige considerações psicológicas, ambientais, etc. Em alguns casos uma leve terapia de aversão tem servido para modificar o quadro de pacientes que sofrem com essa condição.

      terça-feira, 24 de abril de 2007

      Dia Mundial do Livro


      Porque ontem foi o Dia Mundial do Livro aqui ficam algumas sugestões de leitura, relativas aos temas aqui abordados:

      Anorexia Mental - Moura, Elysio

      Anorexia e Bulimia Nervosas - Cardoso, Sonia

      Anorexia e Bulimia - Maia, Bruno E Susana Andrade

      Anorexia Nervosa e Bulimia - Duker, Marulyn E Roger Slade

      Social Construction of Anorexia Nervosa - Hepworth, Julie

      Anorexia Bulimia Obesidade - Apfeldorfer, Gerard

      Anorexia e Bulimia - Gerlinghoff, Monika

      Anorexia e Bulimia - Byrne, Katherine

      Anorexia e Bulimia O Que São - Cordas, Taki Athanassios

      Que Consequências tem a Anorexia - V A

      Anorexia E Bulimia - Raich, Rosa Maria

      Anorexia Bulimia E Obesidade - Busse, Salvador De Rosis

      Emagrecer - Por Que Se Engorda E Como Se Emagrece Peres, Emílio


      quinta-feira, 19 de abril de 2007

      Carências nutricionais levam à ingestão de cinzas, barro e cabelo...


      A Pica é uma perturbação atípica de comportamento alimentar, que ocorre geralmente na infância, em crianças de idade pré-escolar, com menos de sete anos.

      O distúrbio caracteriza-se pela ingestão persistente (mínima de um mês) de substâncias não nutritivas, inadequadas para o desenvolvimento infantil e que não fazem parte de uma prática aceite culturalmente. As crianças com esta perturbação costumam ingerir coisas como barro, insectos, cabelo e cinzas de cigarro. Os casos de pica são bastante raros. Ocorrem em maior número, entre crianças de famílias com baixo nível económico e carências nutricionais, ou que sejam vítimas de negligência ou agressão familiar.

      sexta-feira, 13 de abril de 2007

      Vigoréxicos recorrem a dopantes


      Como referimos no post anterior os vigoréxicos são bastante apologistas de produtos dopantes e anabolizantes. Anabolismo é o processo metabólico que constrói moléculas maiores a partir de outras menores. Anabolizantes são substâncias geralmente derivadas da hormona sexual masculina testosterona, e podem ser administrados por via oral ou injectável. São usados para diversos efeitos, incluindo efeitos terapêuticos, mas têm sido especialmente usados por homens e mulheres em muitos tipos diferentes de desportos para atingirem um nível competitivo ideal através do aumento da massa muscular ou para ajudarem na recuperação de lesões, apesar do seu uso para obtenção de vantagens competitivas ser proibido pelas leis dos corpos governamentais de vários desportos.

      Os anabolizantes têm sido prevalentes também entre os adolescentes, especialmente aqueles que praticam desporto. Estudos mostram que a prevalência de uso entre os estudantes das High School americanas pode chegar a 2,7%. Os estudantes homens usam mais do que as mulheres e aqueles que praticam desporto, em média, usam com maior frequência do que aqueles que não praticam.

      É extremamente difícil determinar a percentagem da população que tem utilizado recentemente esteróides anabólicos, mas esse número parece ser muito baixo. Os usuários de esteróides tendem a ser homens entre 15 e 25 anos e fisiculturistas não-competitivos e não-atletas que os usam por razões cosméticas.