sexta-feira, 30 de março de 2007

Do outro lado do espelho

Um vídeo que de facto revela uma forma de ver diferente da normalidade.

Induzir o vómito, ingerir laxantes e diuréticos, não emagrece!


Já todos sabem, como afixamos num dos posts anteriores, que numa anorexia de tipo purgativo, o doente recorre com frequência à auto-indução de vómito e ao uso indevido de laxantes, diuréticos e/ou clisteres, com o objectivo de se “livrar” de todos os alimentos que ingeriu, e evitar engordar.

Todas estas estratégias são ineficazes no controlo de peso a longo prazo e têm consequências perigosas para o organismo!

Aumentar a diurese, ou seja, a excreção de urina, significa apenas perder água, sem perder nenhuma gordura! Naturalmente quando a pessoa se pesa, o seu peso irá ser ligeiramente menor, e sentir-se-á mais “leve”, mas não está menos gorda! Apenas desidratada!
Os diuréticos são úteis no tratamento de outro tipo de patologia, mas não para efeitos de emagrecimento.

O mesmo se passa com os laxantes. Nenhum laxante elimina gordura do organismo, o que se consegue ao tomá-los de forma excessiva e desadequada é a perda de potássio e dependência que causam.
Um défice de potássio provoca batimentos cardíacos rápidos e irregulares, fraqueza muscular, apatia e inchaço abdominal.
Esta perda ocorrerá também com a indução frequente do vómito, além do que, aqui há também o risco de ruptura esofágica e gástrica, atrofia das glândulas salivares e perda significativa e permanente do esmalte dentário! Os dentes da frente tornam-se lascados, com aparência serrilhada e corroída!
Sem dúvida, as consequências não correspondem a nenhum ideal, nem de saúde, nem de beleza.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Ginastas são as mais afectadas!

Nadia Comaneci entrou no livro de recordes dos Jogos Olímpicos em 1976 quando se tornou a primeira ginasta a conseguir uma nota máxima. Aos 14 anos de idade e com 40 quilos, o desempenho de Comaneci em Montreal, inspirou raparigas em idade pré-pubertária do mundo inteiro a praticarem o desporto. A mesma Comaneci voltou ao cenário público mais tarde numa batalha contra distúrbios alimentares, mas isso não diminuiu o entusiasmo da geração seguinte na procura pela magreza doentia.


A morte da ginasta norte-americana Christy Henrich em 1994, aos 22 anos de idade e com menos de 28 quilos, demonstrou as armadilhas que podem existir na busca cega pelo sonho desportivo. Henrich morreu em consequência de um distúrbio alimentar que a atingia desde os 15 anos. Desenvolveu a doença tempos após um árbitro lhe ter dito para perder peso caso quisesse entrar para a equipa olímpica norte-americana.

Estes são apenas dois exemplos, entre muitos outros, que atacam as jovens desportistas e as adolescentes em geral, um pouco por todo o mundo. Estudos de especialistas, no entanto, revelaram um padrão diferente nas causas dos distúrbios alimentares entre atletas.

De acordo com um estudo de 1992 do American College of Sports Medicine, os distúrbios alimentares afectam 62% das atletas de desportos como a patinagem artística e a ginástica olímpica. A culpa, por um lado, parte de muitos técnicos por pressionarem as atletas a emagrecer, ou por questionarem o seu peso. Mas, por outro, os juízes recompensam também as atletas mais magras, e os competidores seguem a crença sem sentido de que corpos com menos gordura melhoram o desempenho.
Enquanto que em outros desportos, as atletas estão cada vez mais altas e pesadas, a tendência na ginástica olímpica caminha em direcção oposta.
Joan Ryan regista no livro «Little Girls in Pretty Boxes» que, entre 1976 e 1992 as ginastas americanas ficaram 16,5 cm mais baixas, em média, e 10,4 Kg mais leves. Apesar dos efeitos dos distúrbios estarem bem documentados, incluindo sintomas que interferem no desempenho, como fadiga, fraqueza e batimento cardíaco irregular, os afectados receiam assumir os sinais pois temem serem forçados a abandonar o desporto.

Um estudo da Associação Nacional dos EUA de Anorexia Nervosa e Distúrbios Associados registou que entre 5 a 10% dos anorécticos morrem dentro de 10 anos depois de contraírem a doença, e que entre 18 a 20% morrem após 20 anos. A recuperação ronda apenas os 30 a 40%.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Curso Perturbações do Comportamento Alimentar

Já vários cursos foram realizados no ambito deste tema, tendo como destinatários profissionais de saúde e familiares de jovens anoréticas. Neste momento, está a decorrer na FCNAUP um curso de perturbações do comportamento alimentar, que visa formar técnicos de saúde, e outros profissionais em contacto com sujeitos em risco, de modo a prevenirem, encaminharem ou intervirem nas situações de PCA no contexto multidisciplinar.
A Faculdade de Psicologia da UP irá realizar um Curso de Intervenção Multidisciplinar nas Perturbações do Comportamento Alimentar e na Obesidade a partir de 21 de Abril. Para quem estiver interessado em saber mais sobre este tema iremos anunciar os cursos ou congressos que forem surgindo.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Dieta de 1200 Kcal


Pequeno Almoço – 7h30m – 1 chávena almoçadeira de leite meio gordo (240ml) ou 1 iogurte liquido (200ml) ou 2 iogurtes sólidos (125g cada) + ½ pão (25g) ou 4 bolachas de água e sal redondas ou 2 bolachas tipo cream cracker ou 3 bolachas tipo Maria/torrada ou 2 tostas médias ou 1 fatia de pão de forma ou 1 mão de cereais de pequeno almoço (30g).

Meio da Manhã
– 10h30m - 1 iogurte sólido (125g) + ½ pão (25g) ou 4 bolachas de água e sal redondas ou 2 bolachas tipo cream cracker ou 3 bolachas tipo Maria/torrada ou 2 tostas médias ou 1 fatia de pão de forma ou 1 mão de cereais de pequeno almoço (30g).

Almoço – 13h30m – sopa (quantidade por pessoa para duas refeições) 3 chávenas almoçadeiras de legumes e hortaliças (300g) + 1 batata pequena (80g) ou 1 mão de feijão ou grão (30g) ou 1 mão de arroz ou massa (20g) + 1 colher de chá de azeite em crú.

Prato – 60g de carne ou peixe livres de pele, ossos ou espinhas e gorduras visíveis ou 1 ovo médio de galinha ou 1 lata de atum bem escorrido em água ou 2 fatias finas de fiambre ou queijo + 1 batata pequena (80g) ou 3 colheres de sopa rasas de arroz ou massa ou 4 colheres de sopa rasas de feijão ou grão ou favas ou lentilhas cozinhados.

Sobremesa – 1 peça de fruta de 100g (tamanho de 1 bola de ténis) de maçã ou pêra ou laranja ou ameixa ou pêssego ou ananás ou 200g de melão ou melancia (2 fatias médias) ou morangos (12) ou 50g de banana pequena ou uvas (8 a 10 bagos) ou 125ml de sumo de fruta natural ou 200ml de sumo de fruta tipo “light”.

Lanche – 17h00m – idêntico ao meio da manhã

Jantar – 20h00m – idêntico ao almoço, se não quiser comer a sobremesa pode comê-la mais tarde fazendo uma ceia por volta das 22h30m.

Tratamento

Iremos abordar aqui o tratamento da anorexia nervosa sob o ponto de vista nutricional e alimentar, não esquecendo porém que este tratamento requer a interacção de uma equipa multidisciplinar, onde se inclui também o tratamento médico, principalmente o psiquiátrico.
A avaliação nutricional do doente deverá ter como bases a história alimentar do mesmo e os seus dados bioquímicos, metabólicos e antropométricos. Seguir-se-á a correcção da malnutrição estabelecida com correcção hidroelectolítica e uma prescrição energética de 1200-1400 kcal, distribuídas por 20% de proteína, 30% de gordura e 50% de hidratos de carbono. Uma dieta de 1200 Kcal não será provavelmente a correspondente às necessidades energéticas cujo peso referência e actividade física do doente exigem em situação normal, mas será a indicada numa fase inicial de tratamento onde existe um baixo peso instaurado, e uma habituação do organismo a ingestões muito diminutas.

A suplementação vitamínica e mineral é importante e os valores de ferro devem ser vigiados.
A educação alimentar é também fundamental. Dever-se-ão corrigir atitudes, comportamentos e hábitos desadequados. Explicar como fazer a quantificação apropriada dos alimentos e a correcta utilização de porções e sistema de equivalentes e desencorajar o uso excessivo de certos temperos, muito frequente nestes doentes, que têm o objectivo de ingerir grande quantidade de água, visando uma saciedade precoce e diminuição da ingestão alimentar.

O número, horário e duração das refeições também deverá ser correctamente estipulado e acordado com o doente, é importante ajudá-lo a construir mecanismos psicológicos para lidar com o “ambiente” das refeições, por exemplo, qual deverá ser a sua postura em refeições sociais e em férias.

Dependendo das condições clínicas predominantes, é necessário, muitas vezes em função de uma caquexia, proceder ao internamento para restabelecer a saúde em ambiente hospitalar. A família deverá ser orientada sobre a melhor forma de lidar com o problema e ajudar na recuperação.

terça-feira, 20 de março de 2007

Nutricionistas- Será que têm maior tendência a desenvolver distúrbios alimentares?

Em resposta ao comentário colocado sobre a maior probabilidade de os nutricionistas virem a desenvolver anorexia nervosa, encontramos o seguinte caso:
Como resultado de um estudo realizado no Brasil em mulheres universitárias, verificou-se que as que apresentavam maiores factores de risco para o desenvolvimento de distúrbios alimentares eram as estudantes de nutrição. O questionário Eating Attitudes Test foi aplicado em 221 mulheres (114 estudantes de nutrição e 107 estudantes de outras áreas não relacionadas à saúde). Os resultados indicaram que 22,17% das estudantes apresentaram factores de risco para o desenvolvimento de distúrbio alimentar, sendo que no grupo de alunas da nutrição o percentual foi maior (25,43%) do que no grupo de estudantes de outros cursos (18,69%). Embora a diferença não tenha sido significativa, as futuras nutricionistas poderão estar inseridas num ambiente mais favorável ao desenvolvimento de distúrbios alimentares.